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Presente e Futuro

Na zona oriental, com incidência na freguesia do Beato, existe desde 1970 o Plano de Urbanização do Vale de Chelas.

Este Plano surge da necessidade de transformar uma zona velha e degradada, prevendo a sua reabilitação no âmbito da habitação, infraestruturas viárias, equipamentos desportivos, sociais, de lazer e segurança.

Este Plano tem vindo a ser sistematicamente adiado e hoje a freguesia do Beato, através do Plano de Urbanização do Vale de Chelas, viu nos anos 2000 e 2001, serem derrubados os primeiros bairros de barracas, Casal do Pinto e Quinta dos Embrechados. Nestes locais surgiram as novas urbanizações, Bairro Carlos Botelho e urbanização da Rua João Nascimento Costa.

Quanto às infraestruturas viárias e equipamentos sociais, desportivos, de segurança, bombeiros, de saúde, etc., continuamos a aguardar que os mesmos sejam construídos.

O Plano de Urbanização da Zona Ribeirinha Oriental, é um plano oportuno e desejado.

O longo período de indefinição, decorrido num quadro em que se intensifica fortemente a pressão de interesses sobre esta zona da cidade, contribui para acentuar os riscos de uma reconversão que contraria o real potencial de desenvolvimento e modernização equilibrada, que se pretende nesta área urbana de grande complexidade.

A nosso ver é errado privilegiar como objetivo principal do Plano de Urbanização da Zona Ribeirinha Oriental, as amplas áreas devolutas e expectantes e o problema de envelhecimento das populações residentes.

Em nosso entender deve considerar-se na sua globalidade o conjunto de realidades existentes (social, urbana, económica e patrimonial) e planear a partir destas.

É positivo o alargamento da área abrangida até à zona ferroviária de Santa Apolónia, sendo útil a inclusão da própria estação nessa área.

Consideramos o Plano de Urbanização da Zona Ribeirinha Oriental, um projeto de grande impacto para esta zona, no entanto entendemos que este deve respeitar a vertente histórica desta zona, no que respeita às atividades económicas.

A perda de população em Lisboa, não resulta da escassez de oferta de habitação, mas sim dos valores especulativos infligidos por promotores imobiliários, os quais têm vindo a privilegiar as camadas sociais mais elevadas, o que na nossa opinião deve ser contrariado.

A proximidade do rio deve funcionar não como valor estratégico, mas sim como fator estruturante e de valor paisagístico. O rio funciona como via de comunicação e de valor económico, assumindo assim um carácter de interesse público.

O fator habitacional não deve funcionar como fator especulativo devido à proximidade do rio, devendo estes aspetos serem salvaguardados.

Admite-se que o fator habitacional ganhe uma maior importância nesta área, pelo que deve existir um cuidado especial na análise destes problemas, em função de um crescimento equilibrado e racionalizado, de forma a conseguir-se uma boa planificação.

Assim, entendemos que o Plano de Urbanização do Vale de Chelas e Plano de Urbanização da Zona Ribeirinha Oriental, deverão enquadrar-se nas grandes áreas envolventes. Considerando:

  1. Adequar a transformação destas áreas de acordo com a intervenção levada a efeito no Parque das Nações, salvaguardando as características específicas desta zona.
  2. Requalificação das áreas habitacionais, na base de um inventário que valorize e preserve nomeadamente o património habitacional operário e de características populares, historicamente acumulado (Vilas Operárias).
  3. Acrescentar o Parque da Bela Vista, ao longo da via férrea, desde o Areeiro até Braço de Prata, englobando Vale de Chelas, Salgadas, Madre de Deus e Braço de Prata.
  4. Criação de um forte eixo rodoviário marginal contínuo. Melhoria das acessibilidades rodoviárias, nomeadamente a articulação entre a rede principal e as vias secundárias e o acesso às zonas confinantes da cota mais alta. No Beato acesso a toda a freguesia, Picheleira, Xabregas, Madre de Deus, etc..
  5. Melhoria da rede de transportes coletivos e estudo da possibilidade de um meio de transporte de maior capacidade, nomeadamente uma linha de elétricos modernos.
  6. Criação de condições que propiciem o rejuvenescimento e diversificação social da população residente, com criação de meios que visem a articulação com a população e a história local.

Como conclusão, relativamente aos projetos referidos, reafirmamos que a requalificação deve ter em conta:

  • Uso do solo do tecido económico social;
  • Fixação da população existente, dado tratar-se de uma população pobre;
  • Salvaguarda de espaços para instalação de equipamentos desportivos, sociais, de lazer, quartel de bombeiros, centro de saúde, esquadra de polícia e hospital da zona oriental;
  • Salvaguardar os índices de volumetria e densidade, previstos no PDM;
  • Salvaguarda do património cultural, em particular Vilas Operárias;
  • Salvaguarda da possibilidade de um transporte sobre carris, Santa Apolónia / Cabo Ruivo.
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