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A Origem da Freguesia do Beato

As informações disponíveis sobre a Paróquia de S. Bartolomeu, que viria a dar origem ao Beato, não são muito fartas, pelo menos até ao século XVIII.

Historiadores com base em testemunhos de cronistas da época, defendem que a freguesia, enquanto instituição, apresentava características estáveis e duradouras e que a população estabelecia um contacto constante e afetuoso, durante toda a sua vida, com a paróquia.

Paróquia, como se sabe, foi a designação dada às freguesias, até à implantação da República, em 1910. A partir desta data os registos paroquiais começaram a transitar progressivamente para o Registo Civil.

A nível territorial, a formação da Freguesia do Beato passou por algumas etapas cronológicas fundamentais:

    1. A Paróquia de Santa Engrácia nasceu de uma divisão da Paróquia de Santo Estêvão, em 1569. Nos limites da nova Paróquia ficou compreendida toda a zona de Xabregas e grande parte da área que hoje conhecemos como a Freguesia do Beato.

    2. Santa Engrácia, juntamente com os Olivais, na Segunda metade do século XVIII, deu origem a uma nova paróquia: S. Bartolomeu, mercê de uma nova divisão administrativa da cidade de Lisboa.

    3. S. Bartolomeu ficou então sediado na Travessa do Rosário, em Santa Clara. Mas alterações administrativas posteriores transferiram-na para outros locais. Finalmente, no século XIX, a Paróquia foi remetida para o Convento de S. Bento, em Xabregas, – dos Cónegos Seculares de S. João Evangelista – hoje Convento do Beato, situado na alameda com o mesmo nome.

    4. No auge da Revolução Liberal, em 1835, a Paróquia de S. Bartolomeu, trocou o Convento de S. Bento pelo Mosteiro do Monte Olivete, a atual Igreja de S. Bartolomeu do Beato, onde também esteve instalado o Convento do Grilo.

    5. A extinção das Ordens Monásticas havia levado o Governo a decretar a transferência da Paróquia para o Convento dos Frades Franciscanos, de Nossa Senhora de Jesus, de Xabregas, onde mais tarde seria instalada a Companhia dos Tabacos.

    6. A mudança, porém, não chegaria a concretizar-se, devido à oposição do povo, porque aquele templo se encontrava em péssimo estado por causa das profanações e saques de que havia sido alvo, no decorrer das revoltas liberais.

    7. Assim, viu-se obrigado o Governo a recuar e por fim, a Paróquia foi instalada, em novembro de 1835, no Convento de Nossa Senhora da Conceição do Monte Olivete.

No que respeita ao nome da freguesia defendem vários historiadores que teve origem num tal beato António da Conceição, que se empenhou em buscar auxílios para a construção de um convento e de uma igreja, fundados por testamento da Rainha D. Isabel de Lencastre, mulher do Rei D. Afonso V.

A Igreja que hoje conhecemos como Convento do Beato resistiu em 1755 ao grande terramoto. Em 1834, com a Revolução Liberal, o templo passou para a posse do Estado, sendo então profanado. Mais tarde o convento foi vendido a diversos particulares, sendo um deles João de Brito, um industrial que ali se estabeleceu, fazendo uma fábrica de bolachas e moagem de cereais. A fábrica viria a dar origem à Companhia Industrial Portugal e Colónias.

Dos vários Palácios edificados na freguesia do Beato, podemos ainda hoje apreciar:

    • Convento do Beato, na Alameda do Beato, hoje propriedade de “A Nacional”.

    • Convento de Santa Maria de Jesus, ou o Paço Real de D. Afonso III – onde está instalado o Teatro Ibérico, ergueu-se outrora o Convento de Santa Maria de Jesus, mas, anteriormente, no século XIII ali ficava o Paço Real de Enxobregas.

    • Conventos do Grilo – na atual Rua do Grilo, existiram em tempos dois conventos, um para freiras e o outro para frades, designados popularmente por “Grilos” e “Grilas”. Hoje Igreja de S. Bartolomeu do Beato e Manutenção Militar.

    • Palácio dos Marqueses de Olhão – na Rua de Xabregas, onde em tempos se terão reunido, alguns dos heróis da Revolução de 1640, que restaurou a Independência Nacional e quebrou o domínio castelhano.

    • Palácio dos Duques de Lafões – instalado na Calçada Duque de Lafões, cuja fundação data de finais do século XVIII (1777).

    • Convento de S. Félix (Chelas), edificado numa extremidade do Vale de Chelas, lugar onde hoje funciona o arquivo militar.

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